De volta, em parte, por uma desejo incontrolável de exercitar a escrita, em outra grande parte pela possibilidade de falar sobre assuntos que não cabem em 140 caracteres, ou que, por mais bobos que sejam, criam "polêmicas" imbecis no Facebook.
Por estar exercitando a escrita, naturalmente estou enferrujada, então peço de antemão paciência com minhas falhas e com os erros que virão, certamente.
Não é um blog temático, no sentido de falar sobre um assunto só. Acreditem, vocês verão textos sobre comida, bebida, educação, política, banalidades do cotidiano, passando por literatura e séries de TV. Preparem seus corações! Muahaha...
Pretendo escrever em forma de crônicas, e ainda não sei com que periodicidade, mas sempre que forem postadas haverá um aviso na minha página no Facebook e no meu Twitter. Assim, quem se ineteressar, vai poder me visitar aqui também.
O nome do blog me veio por algumas razões bem emocionais. Sou uma apaixonada por poesia, e quando nascer de novo quero vir poeta. Por isso confeso meu amor incondicional por Fernando Pessoa e seu heterônimo mais saboroso, Álvaro de Campos. O seu Poema em Linha Reta, não me sai da cabeça há dias. Tenho tido a nítida sensação de que venho fazendo tudo para andar em linha reta, mas estou com algum problema de coordenação. As linhas tortas me atraem. Então, em homenagem ao grande poeta, o blog se chama Em Linha Torta.
Convido a todos para um passeio comigo pelas linhas tortas da vida. Pelas linhas tortas da minha vida.
Com vocês, o mestre:
- POEMA EM LINHA RETA
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
- Álvaro de Campos
Bem-vindos!