Ele tem olhos de poeta.
Às vezes me engana com olhinhos inocentes, de menino quase.
Mas não. São olhos de boemia, de mar, de rio, de correnteza, de maré.
Olhos cheios de versos, de rimas, de compassos. Eles vivem em outro
tempo.
Aqueles olhos me arrastam pra o fundo da alma dele e lá me afogo em
seus pensamentos.
Não resisto, não quero resistir. Morreria dentro daquele olhar. Moraria
dentro daquele olhar.
Porque, sim, ele é poeta. E sabe que é dono dos olhos meus.
